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Unknown Story

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Unknown Story

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  • Todos os dias, ao voltar do passeio, perguntava se quais quer marítimos tinham passado na estrada. A princípio pensávamos que fazia essa pergunta por sentir a falta dos seus iguais; mas por fim começamos a ver que desejava evitá-los .Sempre que algum marinheiro ficava na Almirante Benbow espiava-o pela cortina antes de entrar na sala; e sempre que lá estivesse qualquer desses homens era certo e sabido que ele se conservava calado como um rato.
  • 🎵🎼🎵🎼🎵🎼
  • Para mim, pelo menos, não havia naquilo nenhum segredo; porque, de certa maneira, partilhei dos sobressaltos dele .Uma vez, chamara-me de parte para me prometer quatro dinheiros de prata no primeiro dia de todos os meses se eu “estivesse sempre de vigia para avistar um marinheiro duma perna só”, e o avisasse logo que este aparecesse.
  • SILÊNCIOOOOO!
  • Nem preciso contar como tal personagem me assombrava em sonhos. Em noites de tormenta, quando o vento abalava os quatro cantos da casa e as vagas rugiam na enseada e contra as arribas, via-o com mil formas e mil expressões diabólicas. Umas vezes tinha a perna cortada pelo joelho, outras pelo quadril; depois era uma espécie de criatura monstruosa nascida só com aperna única, ao meio do corpo.
  • Mas, embora andasse tão aterrorizado pela ideia do marinheiro duma perna só, era eu quem do próprio capitão tinha menos medo do que qualquer outra pessoa que o conhecesse .Noites havia em que tomava um pedaço mais de rum com água do que a cabeça lhe podia suportar; então, ficava por vezes sentado a cantar aquelas velhas cantigas do mar maliciosas e depravadas, sem se importar com ninguém; mas por vezes encomendava rodadas de copos ,obrigando todos os presentes assustados a ouvir-lhe as histórias ou a acompanhá-lo em coro.
  • Os vizinhos todos a participar por amor à vida, subjugados pelo medo da morte, com cada um a cantar mais alto para evitar ser chamado à ordem. Pois quando lhe davam estes ataques, era o parceiro mais possessivo que já se viu; com palmadas na mesa ordenava o silêncio completo; lançava-se numa paixão de raiva se lhe faziam uma pergunta ou, outras vezes, se não lhe faziam nenhuma, concluindo que não estavam a dar ouvidos à sua história.
  • As narrativas eram o que mais assustava as pessoas. Eram histórias terríficas: de enforcamentos, do castigo da prancha no mar, tempestades, as Torturas Secas. Pelo que contava, devia ter vivido toda a vida entre os piores malfeitores que Deus jamais pusera sobre o mar; e a linguagem em que as contava chocava os nossos simples aldeões quase tanto como os crimes que descrevia.
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